sábado, 14 de maio de 2011

A EDUCAÇÃO DO OLHAR

A percepção da mudança  nas propriedades do objeto animado dá-se pela movimentação qualificada - que imprime no objeto novas possibilidades de existência -  e pelo desvio provocado na função inaugural do objeto. A qualificação do movimento pode ser designada como a subversão de uma característica acordada comumente, extraindo, dessa característica, um potencial expressivo inédito ou surpreendente que manifesta um esboço de autonomia.
Mas, transformar um objeto em outro através da animação exige um trabalho mental do ator antes mesmo da efetiva interação. É preciso educar o olhar para que ele possa compreender princípios básicos que possam fazê-lo apreender as características do ser animado. Além dessa percepção, é necessário igualmente ter presente que os elementos plásticos dispostos na cena necessitam ser estimulados através de uma composição e dinâmica espacial. Ora, a composição exige noções de equilíbrio e desequilíbrio, harmonia, peso, contraste e relação de forças... toda composição formal traz conteúdo. Assim, exercitar esses aspectos da observação parecem primordiais como princípio para o ator-animador.

3 comentários:

  1. Álvaro Vilaverde20 de maio de 2011 10:57

    O trabalho mental do ator-animador, ao me ver, é o que impulsiona e provoca a efetiva interação com o objeto animado. É como se estivéssemos constantemente nos desafiando,entre o projetado, o elaborado e o que de fato nossas observações querem comunicar, dialogar. Mas o trabalho mental precisa em determinado momento, ser guardado entre as anotações de cabeceira, e deixar que o gesto encontre seus próprios gatilhos dentro da sua percepção espacial.

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  2. Quando comecei a ler, e obviamente, comecei pelo título, me ocorreu um outro sentido para a "educação do olhar", me ocorre que, educação - no seu contexto de origem - está vinculado a ideia de direcionar, de "dizer como", e fico pensando da possibilidade de uma nova ou verdadeira educação do olhar, sem a ideia do dizer como, mas no "sentir como".
    Quero dizer que, pensando na perspectiva de uma nova educação do olhar, inicialmente, provocaria a pensar que este olhar, é um olhar muito mais potente que não está só no campo dos olhos que posteriormente opera com as mãos, mas das memórias de um corpo profundo que (re)produz - produz novamente a partir daquele corpo vivido / movente - novamente num corpo operante.
    Não consigo associar ao que na postagem diz "É preciso educar o olhar para que ele possa compreender princípios básicos que possam fazê-lo apreender as características do ser animado." O olhar é um ponto de vista...a forma como olho é muito mais complexa que uma conjugação de fatores... somos capturados por algo pelos experiências desse corpo, e, se assim imprimirmos isso na materialidade, é resultado único e exclusivamente, dessa memória, desse corpo que agora, é operante.

    !!

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  3. Caro Paulo:

    Considere "a educação do olhar" como uma metáfora!
    Concordo plenamente contigo...
    Quando digo que o ator-animador deve aprender a olhar, por meio de uma auto-educação, quero dizer, também, que ele deve experenciar todo o sensível do objeto.
    O que proponho, também, é que da observação e experiência profunda com o material possam surgir coisas inesperadas, propulsoras da criação artística.
    Sobre o 'olhar', específicamente na representação do vivo através do objeto inanimado, é preciso 'saber olhar' as coisas vivas e sintetizá-las, através da forma e, principalmente, do movimento. Os bonecos são convenções, sínteses, símbolos e metáforas.
    Por isso, acredito que é necessário um trabalho de elaboração entre o olhar e o representar, pois os traços mais relevantes para a representação são determinados pela seleção do artista.

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