sábado, 14 de maio de 2011
A EDUCAÇÃO DO OLHAR
Mas, transformar um objeto em outro através da animação exige um trabalho mental do ator antes mesmo da efetiva interação. É preciso educar o olhar para que ele possa compreender princípios básicos que possam fazê-lo apreender as características do ser animado. Além dessa percepção, é necessário igualmente ter presente que os elementos plásticos dispostos na cena necessitam ser estimulados através de uma composição e dinâmica espacial. Ora, a composição exige noções de equilíbrio e desequilíbrio, harmonia, peso, contraste e relação de forças... toda composição formal traz conteúdo. Assim, exercitar esses aspectos da observação parecem primordiais como princípio para o ator-animador.
sábado, 12 de março de 2011
SEXTO ENCONTRO - Histórico dos grupos e retrospectiva das temáticas
QUINTO DIA DE ENCONTRO - SERRA GAÚCHA
sexta-feira, 11 de março de 2011
POST - EPÍGRAFE
No reino da realidade, por mais bela, feliz e graciosa que ela possa ser, nós nos movemos sempre sob a influência da gravidade, força que precisamos superar incessantemente. Em compensação, no reino dos pensamentos, somos espíritos incorpóreos, sem gravidade e sem necessidade. Por isso não existe felicidade maior na Terra do que aquela que um espírito belo e produtivo encontra em si mesmo nos momentos felizes.
quinta-feira, 10 de março de 2011
QUARTO DIA DE ENCONTRO - "Da rodinha à roldana"
A dramaturgia (textual e visual) e as tecnologias utilizadas nos espetáculos
A primeira parte do encontro contou com a apresentação de trechos em vídeo de espetáculos da companhia PeQuod: Marina, Filme Noir, Peer Gynt e A chegada de Lampião no Inferno, que foram apresentados pelo diretor da companhia Miguel Vellinho, e comentadas pelos paticipantes do encontro.
Em seguida o círculo de discussões foi estabelecido para a abordagem do tema do dia, que foi o uso de tecnologias nos trabalhos das companhias Caixa do Elefante e PeQuod, e os reflexos que essas estabelecem nas constituições dramatúrgicas dos espetáculos. Da discussões seguem em tópicos alguns dos principais pontos abordados:
* O emprego de tecnologias digitais (em especial recursos de vídeo) por parte de algumas companhias podem soar artificiais, desnecessárias, acompanhando mais um desejo de uso da ferramenta tecnológica, em vez de usar o recurso a favor de uma vontade discursiva;
* Foi percebida a necessidade de definir o conceito de tecnologia dentro do teatro de animação. A tecnologia não necessariamente versa acerca de um ferramental exterior ao homem, mas também pode ser entendida como sendo o aprimoramento do conhecimento a partir do conjunto dos termos próprios a uma arte;
* A substituição do termo “novas tecnologias” para apenas “tecnologias” em nossa discussão, uma vez que o primeiro termo se relacionava de maneira muito clara com uma família de recursos percebidos a partir da década de 1980, identificada fortemente com tecnologias digitais. Foi mencionado mais adiante que companhias de teatro de bonecos, por sua dinâmica de trabalho artesanal usualmente absorvia com maior facilidade uma dinâmica de investigação e emprego de métodos de construção e alternativas técnicas, em relação aos grupos dedicados ao que chamamos, em contraponto, de teatro de atores;
* O caráter eminentemente artesanal do teatro tende a fazer com que a entrada de novos recursos tecnológicos, tal como o vídeo, ocorram, em muitas vezes, de modo um tanto desajeitado, no sentido em que o emprego de tais tecnologias parece muitas vezes não se dar em um diálogo eficiente com os demais recursos da cena teatral;
* Por fim foi discutido por todos o quanto se corre o perigo de enveredar pela curiosidade e pelo aperfeiçoamento do dispositivo técnico, sem se dar conta de que nosso objetivo deve ser a cena. A ideia de que “uma boa construção cumpre 90% da manipulação” pode ser adequada a algumas modalidades de teatro de bonecos, mas que, via de regra, as melhores soluções são oferecidas pela lida com o teatro. Assim concluímos que o emprego da tecnologia precisa acompanhar uma vontade expressiva, e que o entendimento de tecnologia não pode se resumir ao emprego de dispositivos exteriores ao homem, mas que também se apresenta em modos de atuação e entendimento dos trabalhos da cena. Entendemos que a tecnologia é um conjunto de conhecimentos usados a serviço e aperfeiçoadas pelo homem.
Frases do dia
“Esse tipo de tecnologia não foi feita pelo fabricante para nós.” - Carlos Alberto Nunes, sobre o fato de que não há disponível no mercado produtos específicos para as necessidades do teatro de animação.
“Teatro de animação tem que ter movimento – físico ou psicológico” - Paulo Balardim
“Quando a história é bem contada, há uma sinergia que faz o público embarcar nela” - Miguel Vellinho
“Escrever para teatro de animação é, em primeira apreciação, reconhecer a potência expressiva do material” - Mario Piragibe
quarta-feira, 9 de março de 2011
TERCEIRO DIA DE ENCONTRO – “Dizer com ele”
terça-feira, 8 de março de 2011
2º DIA DE ENCONTRO
Que nome dar ao que somos?
Em meio a nossa prática pressionada pela necessidade da produção e nossa sofrida e esporádica reflexão acerca dos processos - particulares e globais - com o quais nos deparamos, a terminologia é um problema difícil de ser contornado, embora impossível de ser ignorado. Pode parecer à primeira vista que discorrer sobre emprego de palavras é uma prática pouco eficiente e por demais teorizante, mas a nossa escolha de termos é o que garante o estabelecimento de um vocabulário comum, possibilitando a comunicação entre companhias e profissionais, além de facilitar a definição de conceitos por meio de uma escolha adequada de palavras. Deve-se dizer que a escolha de palavras se reflete obrigatoriamente no entendimento e no emprego dos procedimentos adotados por companhias, artistas, professores e demais interessados em teatro de animação.
No que diz respeito ao processo de formação do profissional de teatro de animação, deparamo-nos hoje em dia em meio a uma quantidade de termos cujas definições e diferenças nos escapam: marionetista, manipulador, animador, ator-manipulador, bonequeiro. O pesquisador norte americano Steve Tillis menciona o termo puppeteer, para evocar aquele tipo de artista dedicado a teatro de bonecos, senhor de todos os aspectos da produção do seu trabalho - dramaturgia, confecção, apresentação e comercializaçã0. Tillis comenta que, dentre as diversas manifestações em teatro de animação de diversas tradições, locais e tempos, essa figura do marionetista tido como artista polivalente nem sempre foi observada. Disso decorre que essa modalidade de artista não se constitui numa imagem tradicional, e que coletivos artísticos organizados a partir de especializações e divisão de tarefas não se constituem num fenômeno legado ao teatro de animação pela modernidade.
Tillis prossegue buscando a partir do inglês, seu idioma, um termo que pudesse dar conta da variedade de competências, ampliada por questões mais recentes, que caracterizam o campo plural e movediço de caracterização do artista dedicado ao teatro de animação. Ao alcançar o termo puppet artist, Tillis não consegue caracterizar o artista envolvido diretamente com a lida da apresentação do boneco, posto que o termo pode ser usado nos diferentes envolvimentos que se pode assumir dentro do processo de constituição da apresentação de animação (dramaturgia, encenação, cenografia, confecção...). Nio entanto, ao procurar um termo que assume a natureza inclusiva e assume a percepção de que a arte do boneco pode ser uma arte coletiva, Tillis amplia a nossa capacidade de entendimento dos modos e processos de formação e constituição do artista dedicado à arte da animação.
Sobre a tradução do termo proposto por Tillis, o que de imediato poderíamos propor seria "artista de teatro de bonecos". No entanto, o modo como se escolhem no Brasil as palavras, indicaria que talvez o termo "artista de animação" fosse mais adequado. Essa escolha é motivada também pelo fato de que Tillis emprega o termo puppet (boneco) para designar todo material passível de ser inserido em um contexto teatral de modo a permitir a impressão de uma vida imaginada. No Brasil estamos percorrendo o caminho de uma divisão terminológica: boneco, objeto, forma animada, figura, silhueta, e assim por diante.
Mas essa já é outra questão...
* TILLIS, Steve. Towards an aesthetics of the puppet: puppetry as a theatrical art. New York: Greenwood Press, 1992.
SOBRE A CAPACITAÇÃO DO ATOR
segunda-feira, 7 de março de 2011
DINÂMICA DO INTERCÂMBIO – ETAPA PORTO ALEGRE
Esta etapa contará com a presença dos seguintes participantes:
CAIXA DO ELEFANTE - Paulo Balardim, Carolina Garcia, Mário de Ballentti, Valquíria Cardoso, Viviana Schames.
PEQUOD - Mário Piragibe, Miguel Vellinho, Liliane Xavier, Marcio Nascimento, Marcos Nicolaiewsky, Carlo alberto Nunes.
No auxílio logístico: Luana Garcia e Gabriela Mallmann
Na receptiva no Vale Arvoredo (Serra Gaúcha): André Marques e Amanda Figueiredo
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
DO ESPAÇO OCUPADO E DO ESPAÇO VAZIO
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
1° Encontro interno dos integrantes da cia. Caixa do Elefante
Como proposta deste encontro, resolvemos iniciar uma reflexão sobre os vinte anos da companhia, tentando distinguir alguns pontos que consideramos característicos em nosso trabalho.
sábado, 29 de janeiro de 2011
2º Encontro interno dos integrantes da Cia. PeQuod - Teatro de Animação
Nesse encontro estavam presentes Miguel Vellinho, Liliane Xavier, Marcio Nascimento, Mario Piragibe.
O encontro se iniciou com comentários sobre o texto “A travessia das faces” (La traversée des figures), de Didier Plassard [1].
Foi mencionado que:
- O texto fala do problema que se constitui a tentativa de se estabelecer os limites técnicos e tradicionais para uma dramaturgia para teatro de bonecos;
- Foi argumentado que esse problema também pode ser encontrado no que diz respeito à ampliação das práticas do teatro de animação contemporâneo. Assim, o momento contemporâneo afirma para a arte da animação uma dificuldade em se identificar seus limites em relação ao contexto mais amplo do teatro [2];
- Plassard identifica o ator à mostra como um elemento integrador de linguagens e propositor de formas de narrativas.
A primeira questão levantada disse respeito aos limites entre o que consideramos teatro de bonecos e o contexto mais ampliado da cena de animação. Foi afirmado que alguns dos nossos espetáculos futuros serão seguramente espetáculos de animação, mas não necessariamente espetáculos com bonecos. A trajetória da companhia ensinou que o desejo de animação (que ainda carece de ser mais precisamente definido) suplanta a vontade de lidar com métodos conhecidos de manipulação de bonecos com estruturas convencionais.
A isso se completou a questão de que a companhia hoje persegue em seus integrantes uma maior relação com a arte da interpretação, sendo que o virtuosismo na manipulação das formas deixa de ser o mais importante. A companhia acredita, de fato, que demandas decorrentes da cena e do aperfeiçoamento do ator-artista de animação apontam e permitem que se percebam com maior clareza nossas necessidades e deficiências técnicas.
Ainda assim a companhia se recente de estabelecer para si um espaço-tempo para treinamento de trabalho com os bonecos e materiais usados em suas apresentações.
Em paralelo a essa discussão tratou-se dos aspectos de combinação de competências e linguagens [3] que caracteriza parte da produção do teatro de animação dos nossos tempos, e que é um interesse declarado da companhia PeQuod. A esse respeito algumas noções e percepções foram apresentadas:
- A de que seria da própria natureza das artes da animação, em seus fundamentos ligados às suas tradições diversas, o fato de que esta se processa como uma combinação de competências e territórios artísticos diversos;
- Foi mencionado o quanto a alegada relação entre teatro de bonecos e infância é tão difícil de ser quebrada quanto é recente (início do século XX);
- Falou-se de como a universidade no Brasil ainda não enxerga o teatro de bonecos como possibilidade expressiva e criativa, mas apenas como ferramenta pedagógica;
- Da dificuldade de crítica e imprensa em lidar com a companhia (e a linguagem,): a crítica parece não dominar a matéria com a qual o grupo lida, e a imprensa talvez não permita que o grupo ocupe espaços que possam ir além do pitoresco e segmentado.
- A hierarquização da dramaturgia em certos autores e procedimentos de maneira estanque conduz a preconceitos;
- É da natureza do teatro de animação relacionar-se com as suas matrizes dramatúrgicas de um modo que põe em questão a noção da dramaturgia como algo restrito ao registro literário. Em teatro de animação os materiais, suas texturas, formatos e estruturas de apresentação possuem um forte caráter discursivo e, por que não dizer, dramatúrgico.
Sobre A Tempestade (ou qualquer outra montagem futura): será uma peça com bonecos? Não sabemos. Será, definitivamente, um espetáculo de animação. Para nós (da PeQuod, e falantes de português) o termo boneco evoca uma figura antropomórfica. Tillis define o seu puppet como tudo aquilo que é entendido pela platéia como sendo um objeto, mas que por meio de qualidades de forma, movimento e fala pode conduzi-la a imaginá-lo possuidor de vida autônoma [4].
No Brasil buscamos novos termos (forma animada, a ampliação da noção de teatro de bonecos para teatro de animação). Tillis busca ampliar as possibilidades conceituais do termo boneco.
O teatro de bonecos afirma, com um tipo de eloqüência que escapa a outros formatos de espetáculo teatral, que a idéia de dramaturgia sempre se enquadrou num espaço que extrapola o domínio do literário, mas afirma uma discursividade visual, e de combinação de competências e possibilidades de expressão e figuração artísticas.
O interesse que talvez seja o elemento fundante da linguagem da PeQuod se encontra na maneira como a Cia. ocupa o espaço em seus trabalhos. Superar limites humanos por meio da animação quer dizer, para a PeQuod, numa primeira apreciação, ocupar o máximo de níveis e dinâmicas dentro do espaço de representação e do campo perceptivo do espectador. A decisão de como ocupar o espaço se constitui, na maior parte das vezes, num ponto de partida importante para nossos trabalhos.
Concordamos que a companhia busca para os seus trabalhos pessoas com qualidades de ator, mais do que virtuosos manipuladores (essa visão, é claro, isso possui muita relação com a formação de nossos integrantes e com o panorama teatral à sua volta, embora não se possa negar que essa formação e panorama contribuíram para que a companhia estabelecesse sua ideologia artística)
A Cia. já trabalha com elementos técnico-conceituais próprios que dizem respeito a essa procura por fazer o boneco atuar (e fazer o ator atuar com o boneco), mas precisa organizar esses preceitos para poder melhor orientar seu trabalho interno. O que também vale para se conseguir estabelecer uma comunicação mais eficiente com eventuais novos integrantes – falou-se também em restringir as colaborações. A Cia. trabalha com especialistas em outras áreas de expressão (cantores, instrumentistas), pois busca uma forma de expressão que combine competências e possibilidades expressivas porque ACREDITAMOS QUE ESSE TRÂNSITO ENTRE POSSIBILIDADES EXPRESSIVAS E FIGURATIVAS SEJA UMA MARCA DISTINTIVA DAQUILO QUE CONSIDERAMOS TEATRO DE ANIMAÇÃO.
---------------------------------------------------
[1] Texto traduzido por Mario Piragibe e disponível, em francês, em: Revista PUCK – La marionnette et les autres arts, ano 4, n.8. Charleville-Mézières: Institut International de la Marionnette, 1995. pp.15-9.
[2] Poderíamos dizer, e muita gente diz: teatro de atores, teatro vivente, ou teatro propriamente dito, mas: 1. o termo é preciso? 2. o termo explica o que queremos dizer? 3. o termo deixa claros de fato os limites entre essas linguagens teatrais? e, talvez mais importante: que limites entre linguagens são esses?
[3] Usa-se muito o termo “híbrido” ou “hibridização”. Não acreditamos que esta seja a melhor escolha de palavras, uma vez que a experiência nos mostra que a combinação de linguagens, traços e competências mencionada conduz mais a uma cena plural, na qual o convívio das diferenças se faz notar, do que propriamente a criação de um outro gênero, decorrente de uma mistura de outros.
[4] em: TILLIS, Steve. Towards an aesthetics of the puppet: puppetry as a theatrical art. New York:
Greenwood Press, 1992. p. 27.
1º Encontro interno dos integrantes da Cia. PeQuod - Teatro de Animação
Nesse encontro estavam presentes Miguel Vellinho, Liliane Xavier, Marcio Nascimento, Mario Piragibe, Carlos Alberto Nunes e Marcos Nicolaiewsky. Foram discutidos fundamentos dos encontros e sugeridas atividades a serem realizadas entre as companhias.
Breve indicativo do que foi discutido:
- Chamou-se a atenção para as diferenças entre as companhias;
- Foi sugerido trabalhar com frentes reflexivas e demonstrativas;
- Foi sugerido que se trabalhasse na gradação temática: objeto, artista de animação, teatro de animação;
- Breve debate sobre datas de trabalho.


